A minha vida de cigano


Eu, ali “pregado ao chão”, esperava todos os dias impaciente para contemplar aquela deslumbrante beleza que subia as velhas e gastas pedras da calçada. Eram poucos mas excitantes momentos de felicidade vê-la caminhar rua acima até desaparecer na esquina que dava para o castelo. Olhos muito vivos e brilhantes que nunca deixavam de olhar em frente passavam como um relâmpago perto de mim. O cabelo negro, muito bem cuidado, caia-lhe até à cintura. As saias muito coloridas moldavam-se ao seu corpo esbelto até poucos centímetros do chão. Os cintos a condizer cingiam-lhe a fina cintura e faziam realçar a beleza e rigidez dos seus jovens seios.

 

Durante semanas e semanas a situação repetia-se  todos os dias. Quando ela não vinha ficava triste e rabugento e na ansiedade que passasse depressa e um novo dia viesse. As minhas insónias, a falta de apetite para comer, para trabalhar, para me divertir revelavam-me que uma paixão profunda me dilacerava por dentro. Eu estava apaixonado, não havia dúvidas

 

– Que fazer? Pensava eu.

Passei a frequentar as feiras e todos os locais onde a pudesse encontrar. Primeiro a medo, disfarçadamente, olhava de longe e, se pressentia que ela me via desaparecia rapidamente. Aos poucos fui ganhando coragem e abeirava-me da sua banca mexia numa peça ao acaso, sem saber o que estava a pegar e nem sequer perguntava o preço. Ela, também percebia que eu não estava ali para comprar mas apenas para a ver e estar perto dela. Ao longe via-a gesticular, apregoar e falar com os clientes mas quando eu chegava calava-se, corava e só voltava ao mesmo ritmo quando tinha a certeza de eu não estar por perto. Ganhei coragem e comecei por lhe dar os bons dias, nunca obtinha resposta, continuava no seu andar altivo e deslumbrante como se não existisse mais ninguém no mundo. Durante meses insisti e apenas consegui, dos seus lábios rubros e muito bem desenhados, um breve sorriso de compaixão.

Um trágico e inesperado acontecimento proporcionou-nos o encontro que até então tinha acontecido. Era inico do inverno, chovia copiosamente, as velhas pedras da calçada estavam intransitáveis e inundadas pela goma das ervas daninhas –a “minha princesa atrapalhou-se, escorregou e caiu espalhando o pão que trazia no regaço e ali ficou, na minha frente, ferida sem se conseguir levantar . Corri a levantá-la, apanhei os pães, fui a casa procurar um saco limpo e devolvi-lhos. Reparei que tinha sangue no sapato e, depois de muita insistência, convencia-a a entrar em casa, a limpar-se e a desinfectar o ferimento. Fê-lo sozinha – nenhum homem, a não ser o seu marido, estava autorizado a ver-lhe qualquer parte coberta do seu corpo. Ouvi, naquele dia, pela primeira vez a sua voz suave e embaraçada, apenas para me agradecer. Já na rua perguntei-lhe – posso pelo menos saber o teu nome?

– Janaima, é assim que me chamam desde que nasci.

Janaima . – A  sua voz pairava na minha mente como se de uma gravação se tratasse. “ Janaima é assim que me chamam desde que nasci”. Parecia-me ouvir constantemente os seus passos na calçada, abria a porta, espreitava e não a via.

– Devo estar louco, pensei.

Durante vários dias tomou outro caminho para não se cruzar comigo. Eu delirava, só queria vê-la, falar-lhe, ouvir a sua voz e contemplar a sua beleza. Procurei-a na feira – corou quando me viu e disse-me baixinho – sai daqui, se a minha família me vê a falar contigo vou sofrer muito.

– Quero falar contigo! Quando te posso ver?

– Não tenhas pressa, deixa-me pensar. O que decidir serás o primeiro a sabê-lo.

Esperei, desesperei, cada dia sem a ver pareceu-me uma eternidade. Numa tarde gelada de Domingo, bateram à porta, era Janaima.

– Posso entrar?

Fiquei sem fala, pensei que estava sonhando. Encaminhamo-nos para junto da lareira, sentamo-nos e durante longo tempo nada dissemos.

– De repente olhou-me nos olhos, ainda com as faces ruborizadas, atirou para o lado o xaile que trazia sobre os ombros, sacudiu a cabeça para ajeitar os longos e finos cabelos e perguntou-me.

– Porque me persegues? – Que queres de mim?– Não  sabes que é impossível um relacionamento entre nós?– Minha família é muito agarrada às tradições e se sabem que me encontro contigo, levam-me para longe, nunca mais nos podemos ver. Vejo nos teus olhos e nas tuas atitudes que estás apaixonado. Confesso que também me agrada a tua presença, sinto-me embaraçada quando te vejo. Aqui estou e nem o teu nome sei.

Aproximei-me e, muito baixinho, soletrei-lhe ao ouvido o meu nome de família. Janaima sorriu, abriu muito os seus lindos olhos, fez um rasgado sorriso e disse

–tens um lindo nome, até aprece  apelido cigano, antes fosse e tínhamos a vida facilitada.

– Não, não é apelido cigano. É um nome muito antigo que tem passado de geração em geração mas que não me liga ao teu povo.

Mais solta e com toda a naturalidade contou-me a sua vida. Tinha sido prometida em casamento, ainda menina, a um jovem vinte anos mais velho, o acordo foi celebrado entre os pais dela e os pais do possível noivo e até aos 14 anos não a tinham incomodado. Mas quando pensaram que era altura de se decidir  passaram a pressioná-la frequentemente apara que se cassasse.

– Sabes, casar aos 14 anos é normal entre o povo cigano.

Foi adiando o mais que pôde, foi pensando e ganhou maturidade. Tinha ido à escola, estudou na secundária, conviveu com outras realidades e apercebeu-se que nunca se entregaria a um homem que não fosse da sua escolha. Reuniu a família e transmitiu-lhes a sua recusa em casar com o noivo prometido.

– E podes fazê-lo?

– Sim, as raparigas podem recusar e libertar assim os rapazes para procurarem outra noiva.

– Os rapazes, prometidos, não podem recusar até terem o veredicto da prometida.

– E podes escolher um homem que não seja de etnia cigana?

– Sim posso, desde que tenha a aprovação dos meus pais e adopte o estilo de vida cigana.

– Tenho quase 19 anos, sou a vergonha da família. Preocupa-os o falatório no acampamento e na comunidade e de não haver continuidade na geração. Os ciganos devem casar e gerar filhos para manter a linhagem. Eu quero casar mas com alguém que me ame e que eu possa retribuir da mesma forma.

Sem que dessemos conta tinha anoitecido e tivemos de encarar a separação que tínhamos adiado até ao longo das horas. Beijamo-nos na face com a promessa de nos voltarmos a encontrar sempre que possível e que o desejássemos.

Voltou todos os domingos depois da feira. Conversamos sobre os hábitos, os costumes, as tradições e as origens dos seus antepassados, a forma como são transmitidos oralmente de geração em geração. Falou-me dos tempos de escola e de uma professora que que a tinha marcado nos dois últimos anos que estudou. Uma professora excepcional que desde o primeiro momento a tinha cativado e lhe despertou o desejo de conhecer o seu passado, que lhe ensinou a investigar na biblioteca as origens do seu povo e tudo que com ele se relacionava.  Era uma jovem professora que se incluía, que quase não se distinguia dos alunos, era uma de nós não só na escola como na nossa vida diária, estava sempre presente para nos ajudar em tudo. Vestia o seu fato de treino e os ténis de riscas vermelhas e passava fins-de-semana acampada connosco, divertíamo-nos como se adolescentes se tratasse. Duma turma difícil e muito diversa conseguiu fazer um grupo amigo, solidário e coeso até ao final do curso.

E que levam a supor que os ciganos descendem  dos Hindus, outros  que descendem dos árabes e também há quem diga que vieram  da América do Sul.

– Eu nasci na Roménia, meus pais são da Hungria e meus avós vieram da Turquia– Estamos em Portugal há 5 anos. Estivemos na Alemanha, França, Espanha onde permanecemos pouco tempo. Meu grande desejo é fazer o percurso inverso e voltar à Roménia onde nasci. Revelou-me Janaima.

– Porquê Portugal e não um dos outros países onde estiveste?

– Na Alemanha há muito racismo, os ciganos são mal vistos. São coisas do passado que ainda marca aquela gente, sempre foi transmitida uma péssima opinião dos ciganos. Na segunda guerra mundial, milhares de ciganos foram mortos e enviados para os campos de concentração donde nunca saíram. Em França e na Espanha não nos tratavam mal, tínhamos o nosso negócio, frequentávamos as feiras, vendíamos e comprovamos os nossos animais mas, cigano tem o espírito de aventura, tínhamos como objectivo chegar a Portugal e aqui estamos. Temos cá familiares fugidos das guerras e perseguições. Os ciganos têm sido muito sacrificados e perseguidos, foi assim com inquisição e continua até aos dias de hoje.

Janaima, apesar de jovem, era uma mulher informada, madura, determinada e de uma energia contagiante. Pegou-me na mão suavemente e disse-me que ia exemplificar como as ciganas liam a sina. Sentia-se no calor das suas mãos nas minhas e no tremor da sua voz que a sina tinha sido um pretexto para que os nossos corpos pudessem encontrar-se num contacto mais intimo.

– Vou ler-te a sina mas quero explicar-te que ninguém adivinha nada, são apenas truques que utilizamos para ganhar algum dinheiro. O truque é muito fácil. Quem procura uma cigana para ler a sina está com um problema qualquer. Começa-se por olhar nos olhos da pessoa ao mesmo tempo que lhe pegamos nos pulsos. Com a prática detectam-se sinais de nervosismo, de tristeza ou de euforia. Uma pergunta ao jeito do que a pessoa quer dá-nos os ingredientes para saber o que devemos dizer.

– Você tem uma pessoa que lhe quer muito mal – o cérebro começa logo a identificar alguém de quem não se gosta ou que não gosta de nós – todos nós temos alguém numa situação destas.– Você discute com o seu marido – não há casal nenhum que não tenha as discussões – palavra puxa palavra e, no mesmo instante, a pessoa revela-nos que desconfia do seu companheiro.

– Você gostava de ter um emprego melhor e ganhar mais dinheiro – não há ninguém que assim não pense – e os ciganos sabem-no melhor que ninguém – a mentalidade dos não ciganos é a ambição, o dinheiro, o sucesso.– A táctica é ir ao encontro dos desejos da pessoa que pede para ler a sina.

– Nunca pedimos dinheiro, solicitamos ajuda para intercedermos pela “vítima” a troco de qualquer coisa.

Levantou-se, passou-me  as mãos pelo cabelo e foi-se embora.

Janaima voltou com frequência, conversávamos sobre as nossas vidas, sobre as nossas famílias e, sobretudo, sobre o grande amor que nos unia. Ouvíamos música cigana, música brasileira, portuguesa Ficávamos horas à lareira tocando nossas mãos, acariciando os nossos rostos. Uma paixão desmedida despertava em nós grandes desejos. Beijamo-nos pela primeira vez suavemente nos lábios, um beijo de fugida e roubado depois de muita insistência minha. De seguida pegou-me  com mão delicadas em cada um dos lados da face e beijou-me longamente nos lábios ávidos daquela fruta deliciosa.

– Não, não, gritou Janaima. Eu também sinto outros desejos mas vamos parar por aqui, não podemos. Seria um desgosto enorme para minha família. Eu tenho de casar virgem, faz parte das tradições ciganas que ainda não conseguimos ultrapassar.– Não sou, de modo nenhum, uma seguidora acérrima das tradições ciganas mas neste aspecto há muita coisa em jogo. A tradição cigana manda que a noiva vá para o casamento “pura”, e tem de mostrar provas, aos familiares, dessa sua condição. Os lençóis manchados de sangue têm de ser exibidos, no dia seguinte ao casamento, perante os familiares. Disso eu não abdico, quero continuar cigana e mostrar ao meu Povo que me orgulho da minha gente. Se casarmos vamos ter todo o tempo do mundo para satisfazer os nossos desejos reprimidos. E eu quero muito casar contigo.

Os nossos encontros eram cada vez mais frequentes mas havia  um grande problema por resolver – a aceitação da família de um não cigano para companheiro da filha – Janaima começou por convencer a avó, explicou-lhe quem eu era, as minhas intenções o quanto nos amávamos e como o nosso amor se cimentava cada vez mais, pediu-lhe ajuda para convencer os pais e restante família-  Sua avó era uma velha cigana que tinha amado também um não cigano mas nunca teve coragem de contrariar as tradições e casou aos 14 anos com o homem com quem vivia atualmente, adaptou-se mas nunca tinha desfrutado de uma felicidade plena – comprometeu-se com a neta a fazer tudo para que não lhe acontecesse o mesmo eu a ela e delinearam  um plano que começava por falar ao avô que adorava a neta,  depois envolver os irmão e cunhadas e, todos juntos, convencerem os pais a aceitarem-me como um deles. Foram meses de espera e sofrimento. Janaima não queria afrontar a família mas estava disposta a tudo, incluindo fugir do acampamento para vivermos juntos.

Uma noite, a meio da semana,  apareceu Janaima muito sorridente e com uma felicidade transbordante disse-me:

– Meus pais querem conhecer-te. Não foi fácil convencê-los. Minha avó foi incansável e com sua sabedoria conseguiu envolver toda a gente e finalmente meus pais exigiram que lhes explicasse tudo em pormenor. O medo que senti ao falar-lhes da minha paixão, em nada contribuiu para serenar os ânimos. A muito custo lá fui explicando como nos conhecemos, quem és tu, as tuas origens e o que sentimos um pelo outro. Minha mãe foi mais compreensiva e ajudou no convencimento de meu pai.– Agora não podemos adiar por muito tempo a tua visita ao acampamento.

Combinamos a visita no domingo seguinte, depois da feira.

Janaima veio buscar-me e pelas cinco da tarde aproximamo-nos do local que tinham escolhido, havia dois anos, como sua residência. As pernas tremiam-me e não conseguia sequer abrir a boca para falar. Janaima apercebeu-se e tranquilizou-me.

– Ninguém te vaia fazer mal algum. Tira dessa cabecinha os preconceitos que tens dos ciganos, são pessoas como tantas outras com suas qualidades e defeitos. Têm suas regras e tradições próprias. Amam os seus filhos e estimam os seus idosos como ninguém.– Meus pais, apesar de ciganos, são muito tolerantes no que respeita à felicidade dos filhos.

O acampamento ficava junto ao rio, numa zona elevada com árvores de grande porte a fazerem de barreira às águas que passavam revoltas em direcção ao mar, e prolongava-se por mais de duzentos metros ao longo da ribeira. As primeiras tendas eram ocupadas pelos seus avós paternos e maternos, as pessoas mais idosas do acampamento. A seguir duas outras tendas onde viviam os seus irmãos Célio que era casado com Nara e Lisse  que era casada com Janus. As últimas tendas eram as de seus pais e também onde ainda vivia Janaima. Seu pai chamava-se Crato e a mãe Fatma. Mais lá para o fundo ficava a vedação dos animais e a zona de arruma das carroças.

Enquanto Janaima e sua mãe vendiam na feira seu pai e o irmão percorriam as aldeias comprando e vendendo burros. Os negócios eram uma tradição na família que tinha passado de geração em geração. Seu avô, Jabal de seu nome, sentado num banco de pedra parecia o guarda do acampamento. Cumprimentou Janaima em dialecto e voltando-se para mim, levou a mão à cabeça, retirou o chapéu e disse

 – boa tarde senhor, seja bem vindo.

Das outras tendas vieram, em grande correria, Dimitri, Mirella, Niglo e Jan sobrinhos de Janaima. Agarrados às suas saias riam e pulavam de alegria em nosso redor. Finalmente chegamos na tenda de Janaima. As crianças ficaram comigo do lado de fora, Janaima entrou e voltou logo de seguida, deu-me a mão fez-me entrar na sua tenda. – Era uma tenda enorme, feita de bocados de um encerado azul e com um forro interior de pano-cru em tons de amarelo. Do lado esquerdo numa divisória, também do mesmo pano, ficava a cama de Janaima. Do outro lado a zona de dormir dos seus pais. Ao centro uma mesa onde todos comiam e que servia também de apoio para os estudos de Janaima. Ao fundo, numa pequena lareira, improvisada com pedras e barro amassado, cozinhavam as refeições e, nos dias frios, o lume sempre aceso dava algum conforto ao abrigo. Apesar das condições a tenda era limpa e tudo estava arrumado no seu lugar. Em redor da lareira quatro bancos de madeira. Do lado esquerdo sentava-se o pai, à direita a mãe e ao centro, junto à mãe, o banco de Janaima e o que restava, mais perto do seu pai, era para mim.

Sentamo-nos todos em redor da fogueira e conversamos longamente sobre nós. Muitas perguntas sobre a minha vida passada e a minha família. Sobre as minhas intenções para com a sua filha. O que pensava do futuro e se estava disposto a abdicar da minha profissão e partir com eles por esse mundo fora. Fizeram questão que jantasse com eles e seria uma desonra não aceitar. Ao jantar juntaram-se os avós de Janaima e os sobrinhos. Mais tarde vieram também sua irmã e o marido e seu irmão e a esposa. As crianças pulavam do colo de Janaima para o meu como se me conhecessem há longo tempo.

Depois de tudo arrumado Célio pegou na viola que executava primorosamente e tocou e cantou para todos nós. Lisse, Nara e Janus dançaram à nossa volta e obrigaram Janaima e eu  a dançarmos também.  Depois de deitadas as crianças e de encaminhar os velhos aos seus dormitórios, Janaima acompanhou-me até à saída do acampamento, beijou-me com uma grande felicidade e despediu-se dizendo

– Dorme bem meu amor.

Nessa noite não dormi. O apelo era irresistível. Deixar tudo e enveredar por uma nova vida. Recordava as palavras do pai de Janaima

 – Cigano não se humilha perante quem quer enriquecer à sua custa. Vocês não são livres, trabalham, dia e noite, fechados nas fábricas para ganharem uma miséria. Só pensam em amealhar até ao fim da vida e chegam lá tal como nós, sem nada. Passam toda um vida a encher os bolsos dos outros, a proporcionar-lhes luxos que vocês nunca conseguirão. Cigano vive um dia de cada vez. Temos os nossos negócios, ganhamos o suficiente para nos alimentarmos, vestirmos, cuidar dos nossos filhos e dos nossos velhos. Não estamos amarrados a nenhum compromisso. Para nós não há barreiras, se queremos algo lutamos e vamos até ao fim do mundo para o conseguir, a  nossa liberdade não tem preço. Somos cidadãos do mundo.

O meu espírito aventureiro e o apelo a uma vida livre levava-me a concordar com Crato. Janaima chamava-me, o grande amor da minha vida estava lá, no acampamento, e esperava-me. Sim, estava decidido, seria isso que iria fazer. Mudar de vida e libertar-me desta “escravidão” que me oprimia dia após dia. Finalmente adormeci. Levantei-me tarde e não compareci no trabalho. Dois dias depois despedi-me dos meus colegas, acertei contas com o patrão (descontou-me mais de metade do salário pelos prejuízos que lhe ia causar, e mais umas tretas de patrão raivoso por me ver liberto daquela “escravidão”.) e assim terminou a minha vida de enclausurado.

Mudança para o acampamento

Janaima ajudou-me a comprar uma tenda com tamanho suficiente para nela vivermos os dois.Compramos também alguns apetrechos; uma mesa, 2 bancos de madeira, uma cama desmontável, mantas muito coloridas, uma bacia grande para podermos tomar banho, umas panelas , pratos e respectivos talheres, um guarda fatos desmontável para acondicionarmos as roupas.A tenda foi montada no fim do acampamento uns metros depois da de Janaima.De casa trouxe apenas o essencial; roupas e produtos de higiene pessoal, meia dúzia de livros, um pequeno aparelho de reprodução de música

A instalação, durou toda a tarde apesar da ajuda de toda a família. As crianças, curiosas, vasculharam todos os meus pertences e dançaram ao som das minhas músicas preferidas.Chegou a noite, aqueci uma panela com água e tomei banho na minha nova “ banheira”.Janaima veio buscar-me para jantar na sua tenda onde já estavam os seus pais e seus avós.A mesa estava posta com todo o requinte. Uma refeição especial de boas vindas, era Lua Nova, todo o manjar obedecia ao ritual dessa fase. Reforçar forças para começar novos projectos e uma nova vida.Muita e variada fruta, fresca, adquirida no mercado desse dia.

Fatma, e Janaima tinham feito o Kolaco (pão cigano) que ocupava o centro da mesa.Sentamo-nos e foi Janaima quem cortou, com as mãos, como alimento sagrado  não pode ser cortado com facas, e distribuiu por cada um seu pedaço. 
Jabal, avô de Janaima, conversou longamente comigo, sobre avida no acampamento, as regras, os hábitos, as leis ciganas, os projectos para o futuro.

Fiquei a saber que pretendiam partir rumo ao Alentejo no final de Maio.

Acabada a refeição, Célio, que entretanto tinha chegado, voltou a pegar na viola e tocou e todos dançaram para festejar a minha presença.Janaima levou-me à tenda ajudou-me a preparar a dormida, deu-me um beijo de boas noites e saiu.Adormeci muito tarde. As emoções eram fortes. Tudo muito diferente dos dias anteriores.Saber que ali ao lado dormia Janaima e que estava cada vez mais perto dela, acalmou-me e finalmente dormi.

Na Feira

Manhã bem cedo, Janaima veio acordar-me.

– Anda, levanta-te, dorminhoco, temos de ir para a feira.

Trazia uma caneca com café e duas torradas que colocou em cima da mesa.Não havia tempo para aquecer água, estendeu-me uma toalha, um bocado de sabão e apontou-me o rio.

– Vai, faz como eu, vai lavar-te no rio, só te faz bem.

A água era límpida mas muito fria para o meu gosto. A custo lá consegui banhar-me á pressa sob os risos de Janaima, divertida com a situação.

– Com o tempo habituas-te.

Chegamos cedo a feira. Montavam-se as primeiras barracas.Escolhemos um local de passagem, no inicio do recinto e expusemos os nossos produtos.

Camisas, camisolas, calças, vestidos de senhora e de criança, faziam parte do nosso negócio.Janaima expunha, com precisão, cada peça no seu lugar certo de forma a atrair a atenção da clientela.Na frente as peças mais baratas, na retaguarda as de maior valor.Cores vivas e cativantes ficavam por cima escondendo as que atraiam menos.

Das aldeias em redor vinham homens e mulheres comercializar os produtos que com carinho tinham criado e que era fonte do seu sustento.Coelhos, galinhas, borregos, cabras, ovos, mel, azeite e uma variedade muito grande de produtos hortícolas.Estes eram os principais compradores dos nossos produtos. Compravam por necessidade, depois de fazerem as suas vendas.

Os outros visitantes compravam por impulso. Se lhes agradava algo, vasculhavam, remexiam, regateavam o preço até à exaustão e acabavam por adquirir qualquer coisa.

Janaima era mestre na arte de vender.

Um simples olhar, a forma como as pessoas apalpavam os tecidos, dava-lhe a indicação precisa do que lhes vender. Se uma cliente vestia um casaco logo corria a compor-lho e sugeria mais uma camisa a condizer com a indumentária.

– Faço-lhe um desconto e leva mais estas cuecas e aquelas meias e pode levar também este lenço que lhe fica bem com qualquer roupa.

Eu, a um canto, meio envergonhado, apreciava toda aquela azáfama.

Quase no final da feira, um cliente, bastante conhecido de Janaima, comprou quase tudo o que tinha sobrado.

Admirado perguntei a Janaima o que se passava.

– É fácil, o cliente tem uma loja de roupas na cidade, compra aqui peças baratas, expões as caras nas montras com letreiros de descontos de 70% em saldo. Entras na loja no engodo do grande desconto.– Ele começa por te mostrar as melhores peças e as mais caras, faz-te apenas um desconto de 10%. Se pedires as que têm mais desconto mostra-te as que veio comprar aqui à feira.

-O que lhe vendi já está remexido e escolhido pelas diversas pessoas que por aqui passaram, portanto são restos. Na loja também não vais querer, já tens a mente fixada nas primeiras que ele te mostrou.

Acabas por comprar caro, aliciado pelos saldos que, se vieres á feira compras melhor e mais barato.

– Tens razão, isso já aconteceu comigo.

Iniciação na venda de burros

Não muito longe do nosso acampamento havia uma feira de gado.

Manhã bem cedo, recolhemos os três burros que tínhamos, o Jumento, o Gadelha e a MalhadaAtados os burros na parte de trás da carroça, puxada por um belo cavalo de nome Sliper, partimos ruma à feira. Crato, o pai de Janaima, era um homem experimentado na arte de tratar e vender burros.

Pelo caminho encontrávamos várias pessoas com os seus animais para comercializar. Crato comentava comigo o que lhe parecia cada um , eles, a destreza, a beleza, os que estavam bem cuidados e os que eram desprezados.Chegado á feira desatrelamos o Sliper e demos palha a todos os animais.Os primeiros clientes apareceram, olhavam, perguntavam o preço e seguiam.Conseguimos vender a Malhada a uma senhora que dela necessitava para a ajudar nas lides da lavoura.

Já no final da manhã apareceu um velhote para se desfazer do seu velho burro e adquirir um com menos idade. A troca estava fora de hipóteses porque nem o Gadelha nem o Jumento lha agradavam. O Gadelha era um burro pequeno e com cabelos muito compridos, o Jumento era um burrito muito novo e irrequieto difícil de domesticar. Depois de muita conversa acabamos por comprar o burro ao velhote por 10 contos.Todo contente por se ver livre do animal partiu pela feira procurando o que queria.

Crato, levou o burro velho para um sítio isolado e pediu-me que tomasse conta do negócio. Uma  hora mais tarde voltou com o burro todo tosquiado, escovado, lavado e ornamentado com umas riscas nos traseiros, o animal não parecia o mesmo.Mais tarde, apareceu de novo o velhote, tinha corrido toda a feira e não encontrou nada que lhe agradasse. Olhou para o burro, que tinha sido seu, abriu a boca ao bicho para lhe ver a idade – mostrando-se muito entendido em burros – perguntou o preço do animal e acabou por comprá-lo por 20 contos. Olhei para Crato espantado e perguntei-lhe se não ficava com remorsos por ter enganado o velho.

Respondeu-me – negócio é negócio. Vocês não compram carros velhos, dão-lhe uma pintura à ligeira e vendem-nos quase como novos? E com as casas não fazem o mesmo, compram casas velhas, dão-lhes uns retoques e voltam a vendê-las por preços exorbitantes.

Mais tarde, vim a saber que o velhote só deu pela marosca quando chegou a casa e o burro já conhecia o curral.

A Partida

Maio chegou com todo o seu esplendor. Arvores floridas, erva em abundância para os animais. Os raios de sol, logo pela manhã faziam realçar a beleza de Janaima. Desmontamos o acampamento, arrumas tudo nas carroças, atrelamos os animais e partimos rumo ao Ribatejo.

Na frente seguiam os casais mais idosos, logo a seguir os pais de Janaima e também os irmãos e cunhados.Na última carroça instalamo-nos eu, Janaima e as crianças que fizeram força par seguir junto de nós. Presos à nossa carroça iam os burros que não tínhamos conseguido vender. Chegamos a Santarém perto da hora de almoçar. Colhemos mantimentos para os animais, preparamos a nossa comida, almoçamos e voltamos a partir com destino a Vendas Novas.

Pelo caminho encontramos grupos de ciganos, em viagem ou acampados, familiares e amigos de Janaima, aos quais foram endereçados os convites para participarem no nosso casamento, marcado para Agosto em Arraiolos. Anoitecia quando chegamos a Vendas Novas. Escolhemos um local para montar, de novo, o acampamento e aí permanecemos mais de dois meses.

A Coisa correu mal

Instalados em Vendas Novas, partíamos dali para os arredores para vender os nossos produtos.Janaima frequentava as feiras onde com grande facilidade conseguia fazer o seu negócio. Eu e o pai de Janaima percorríamos as aldeias comprando e vendo os burros. Um dia trocamos um dos nossos burros por um muito velho, ainda recebemos algum dinheiro na transacção.O pobre bicho estava magro, com o pelo muito comprido e sujo, manchas enormes de cabelos brancos.

O pai de Janaima, com a minha ajuda, tosquiou o animal, alimentamo-lo abundantemente durante 2 semanas, escovamos o bicho todos os dias e fazíamos com ele algumas caminhadas de forma a revitalizar a musculatura. Havia um problema, não conseguíamos disfarçar as manchas brancas de tanta velhice. Crato teve então a ideia de pintar o burro com uma tinta feita á base de plantas, misturada com graxa dos sapatos.O burro parecia outro, bem alimentado, lustroso, orelhas empinadas e pintado de uma cor que atraía as atenções. Chegamos à feira para nos desfazermos do animal e, logo apareceram pretendentes que iam oferecendo bom dinheiro pelo Pintado (tínhamos-lhe dado esses nome). A meio da manhã começaram a cair uns chuviscos que logo se transformaram numa tempestade medonha que nos encharcou até aos ossos.O Pintado, ainda aguentou as primeiras chuvadas mas, ao fim de algum tempo a tinta desapareceu e deixou ver o velho burro de cabelos brancos. Regressamos o mais rápido possível ao acampamento antes que alguém desse pelo disfarce. Pintado foi vendido mais tarde noutra feira num dia de sol que lhe manteve o disfarce até ao fim.

Preparativos para o casamento

Manhã bem cedo atrelamos o Sliper à melhor carroça que possuíamos e partimos com destino a Almada.Eu, Janaima e Fatma que conduzia a carroça com mestria. Em Almada morava uma costureira conhecida de toda comunidade cigana. Era a ela que recorriam as ciganas para encomendarem os seus trajes, os vestidos de noiva e todos os panos da virgindade. Mãos de fada confeccionavam-nos como ninguém. O carinho e dedicação com que realizava o seu trabalho faziam dela a costureira que todos solicitavam. O pano da virgindade era confeccionado num linho de branco imaculado, ornamentado com pérolas de várias cores e levava o nome de Janaima desenhado com linhas doiradas. Apesar de não ligarem muito às tradições, Janaima e a mãe faziam honra de ter o dito pano como prova da virgindade de Janaima.

Chegamos e, sentada junto à porta de entrada, estava uma linda menina de olhos muito vivos e de um azul deslumbrante. Os cabelos negros, caídos até aos ombros confundiam-na com uma ciganita.Correu a chamar a mãe que fez entrar Janaima e Fatma ficando eu sozinho na rua com a criança. O noivo não podia assistir aos preparativos destes pormenores do casamento.

Ana, era o seu nome, muito vivaça começou por me dizer que todos os dias ali se deslocavam várias pessoas de etnia cigana para solicitar os trabalhos da mãe. Que brincava com os meninos ciganos enquanto as mães escolhiam e compravam os trajes que necessitavam. Brincavam com as suas bonecas, os seus carrinhos; brincavam às escondidas e ao apanha; jogavam à corda e arco, brincavam como qualquer criança gosta de brincar.Ana folheava um livro sobre a flora e a fauna. Apontava para cada uma das fotografias e dizia de cor os nomes de cada uma delas.Como ainda não sabia ler perguntava-me o que estava escrito ao lado das fotografias.

Acabada a leitura, fechou o livrinho e perguntou-me.

– Tu não és cigano pois não?– Não, não sou. Porque perguntas?– Porque não tens aspecto de cigano.– E vais casar com uma cigana?– Sim vou casar com Janaima, gostamos muito um do outro e decidimos casar, será em Agosto.– E vais morar para onde?– Agora moramos no acampamento e vamos continuar a morar nas nossas tendas que montamos em cada local onde paramos.– Andam sempre de um lado para o outro, de terra em terra?– Sim andamos por esse mundo fora, de feira em feira, fazendo o nosso negócio.

– Também gostava partir por esse mundo fora. Deve ser muito divertido passar um tempo em cada terra. Andar nessas carroças, dar de comer aos burros e aos cavalos, ver os pássaros, as arvores, as flores, visitar as feiras e vestir aqueles lindos vestidos que a minha mãe faz.– Quando crescer quero apaixonar-me por um cigano e viver como vocês vivem.– Talvez um dia os teus sonhos possam realizar-se. Ainda és muito pequenina, tens de crescer, aprender a ler, estudar e quando fores adulta logo decides.

– Quando cá voltares contas-me sobre o vosso acampamento?– Sim, conto, fica combinado.Entretanto Janaima e a mãe apareceram, voltamos a trepar para a carroça e partimos.

Ana ficou a ver-nos partir acenando com a sua pequena mãozinha um adeus até breve.

 

 

Casamos num sábado de fins de Maio. As tendas foram montadas num campo abandonado repleto de lindas papoilas. O cenário era idílico, as flores formavam um tapete avermelhado a perder de vista que não apetecia pisar. Casamos descalços para sentirmos, através da terra húmida do orvalho, a corrente do amor que nossos corpos irradiavam. Foi uma cerimónia simples presidida pelo ancião mais velho que se encontrava presente. Fez uma breve alusão às tradições ciganas, ao respeito mutuo entre homem e mulher, ao respeito devido aos mais velhos, às crianças, e à natureza. Desejou as maiores felicidades aos noivos e declarou-nos marido e mulher.

A farra durou todo o dia e pela noite dentro. Muita comida, muita música, muita animação dos mais novos que corriam e brincavam por todo o campo e entre elas estava Ana que tinha vindo com a mãe entregar as diversas roupas encomendadas para a boda e especialmente o pano de linho imaculado. Ana veio ter comigo, saltou para os meus braços, deu-me grande abraço e um beijo muito carinhoso.

Pelas dez horas, para que as crianças tivessem oportunidade de participar, houve foguetes e fogo-de-artifício que alguns dos convidados fizeram questão de nos presentear. Os adultos gostaram, as crianças ficaram deslumbradas tanta “chuva” de luzes a caírem do céu.

Os miúdos foram para a cama, os graúdos voltaram ao banquete e nós aproveitamos para finalmente estarmos sós na nossa tenda que tinha sido montada em local longe das demais e da local onde decorria a festa.

Tínhamos uma tenda ampla e redonda onde apenas existia um biombo a separa a zona de dormir e que dava aquele espaço uma sensação de privacidade e aconchego. A nossa cama era um colchão assente num estrado de bambu a vinte e cinco centímetros do chão. O nosso ninho de amor tinha sido preparado sob orientação de Janaima para nos proporcionar uma noite inesquecível; os tapetes floridos a cobrirem todo o chão, muitas pétalas de rosa e papoilas espalhadas pela cama e que continuavam também nos tapetes, velas discretamente posicionadas criavam um ambiente muito intimo para disfrutarmos da nossa primeira noite de amor.

Ali parados de mãos entrelaçadas comtemplávamos tranquilamente a beleza daquele espaço só nosso onde nos esperava uma vida de entrega e cumplicidade. Aproximamos as nossas bocas lentamente e beijamo-nos ardentemente bebendo o néctar que brotava de nossas bocas. Estávamos felizes mas nervosos, Janaima pegou-me nas mãos e sussurrou-me ao ouvido.

 – Vamos para a cama meu amor. Quero preparar-me suavemente para uma entrega conjunta que seja o culminar deste dia tão feliz. Quero que me expliques tudo, quero saber se vai ser dolorosa a nossa primeira relação sexual, quero tudo sem pressas, com muita entrega, com muito amor e carinho para que esta noite fique para sempre gravada em nossas mentes.

Acariciei aquele rosto tão belo, olhei profundamente seus olhos azuis como pedras de larimar, beijei longamente seus lábios de fruta madura que apetecia morder e tranquilizei-a.

– Não tenhas medo meu amor, temos todo o tempo do mundo, vamos amar-nos loucamente preparando nossos corpos para se unirem como se de apenas um só se tratasse. Fazer sexo, no meu entender, é como os foguetes que deitaram há pouco, acenderam o rastilho e extinguiu-se rapidamente. Fazer amor é como o fogo de artificio, coloca-se nos locais que melhor satisfaçam, vão-se ligando os rastilhos calmamente e com segurança e quando tivermos a certeza que tudo está ao rubro ligam-se os rastilhos e então sim, é o delírio total de luzes e cores que explodem sucessivamente.

– Adoro-te amor, deixa-me aliviar-te dessas vestimentas que impedem o contacto dos nossos corpos. Ajuda-me a abrir estes botões que me atrofiam e a desembaraçar-me de todas estas roupas que já cumpriram o seu dever. Vamos despir-nos totalmente e comtemplar a nudez de nossos corpos. Beija-me e deixa-me beijar todo o teu corpo, sente e deixa-me sentir o sabor dessa tua pele tão desejada. Sente o meu odor deixa-me aprecie também o teu, acaricia-me deixa-ma acariciar-te, amam-me e deixa-me amar-te como nunca.

De repente Janaima prendeu-me as mãos, colou seus belos lábios nos meus num beijo prolongado denunciando todo o prazer que a deixava louca.

-Estou toda molhada, disse-me, olha para baixo e repara naquela mancha húmida que me denuncia. E tu, bem vejo que estás igual, nossos corpos desejam-se, nossos fluidos brotam como a seiva de um figo maduro acabado de colher.

Passei suavemente os dedos sobre a fonte donde brotava tão maravilhoso néctar, Janaima estremeceu, sem pressas fui retirando aquele pedaço de pano que escondia tanta beleza, beijei cada milímetro até chegar à fonte do desejo que se abria agora em todo o seu esplendor como um botão de rosa pronto para ser colhido, beijei-o suavemente até Janaime me pedir para parar. Voltei a beijar sua boca, mordi com prazer aqueles mamilos que esperavam há muito por mim, passei a língua pelo seu ventre que não parava de estremecer, passei suavemente as costas das minhas mãos pelo interior das suas lindas pernas até tocar com carinho aquele tufo negro que protegia e encobria a sua gruta húmida de prazer.

– Beija- me de novo onde me fazes tremer, leva-me à loucura – Pediu Janaima. Voltei a aproximar meus lábios daquela flor ainda virgem e beijei primeiro os grandes lábios, de seguida os seguintes e passei demoradamente sem pressas, sem pressão a língua em redor daquela pequena saliência que chamava por mim e que tanto fazia contorcer a minha amada. Olhei -a nos olhos, voltei a beija-lhe a boca, os mamilos hirtos, voltei lá abaixo e foi a loucura.

– Estou nas nuvens meu amor, estou a olhar as estrelas do céu como se estivesses aqui tão perto a comtemplar-nos, vejo o teu fogo-de-artifício de milhares de cores que se misturam, não pares, faz-me sentir a mulher mais feliz e louca do mundo, isso é bom, muito bom, maravilhoso, sinto-me outra, sinto-me transformada como se ouvisse o meu sangue correr pelas veias em direção do meu cérebro. Amo-te meu querido, sua tua, toda tua, sou a tua mulher. Beija de novo a minha boca, abraça-me como se nossos corpos se fundissem num só. Estou feliz! Assim ficamos longamente disfrutando e acariciando cada centímetro dos nossos nus e suados corpos.

– Deixa-me ver o que escondes aí e que parece querer saltar cá para fora, pediu Janaima. Retirou com muita ternura aquela tanga que me cobria e deixou à sua contemplação o primeiro pénis de homem que tinha a extremidade a britar como um cravo vermelho por florir. Ela sentiu onde deveria coloca-lo, sabia que a qualquer momento seria todo seu. Janaima não conseguia tirar os lindos olhos daquela Saliência que se destacava de mim. Janaima viu como latejava e tocou-lhe com as pontas dos dedos tão ao de leve como se de uma porcelana fina se tratasse.

– Fica sempre assim de pé quando provocado, excitado? – Perguntou ela.

– Sim, para ti fica sempre assim?

– Só para mim? Perguntou e beijou a extremidade com delicadeza.

– De uma forma especial, só para ti fica assim, é teu, todo teu, faz dele a fonte de prazer que tanto desejamos.

 

 

Uma resposta a A minha vida de cigano

  1. Olá Tofes
    Sabes que o mundo dos ciganos sempre me fascinou, as danças, os acampamentos cheios de cor e leituras de sina, a vida errante, as carroças cheias de bugigangas…
    Nesta bela história trouxeste-me de volta esse imaginário que tanto me faz sonhar.
    Obrigado
    Vanda

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